A arte moderna ensinou-nos a deixar a tradição;
Isto deve ensinar-nos a romper com a tradição
da arte Moderna (Dieter Kopp)

Afirmar ou romper com a tradição parece se ter tornado a própria dinâmica de respiração da criação plástica deste século. Dar continuidade ou romper com uma proposta estética do passado, seja este próximo ou longínquo, tem o mesmo peso, a mesma importância.

Afirmar ou negar, inspirar ou expirar, são movimentos que se articulam de inúmeras maneiras, podendo até romper com a tradição da ruptura.

A pop art, a primeira proposta estética deste continente que conseguiu um espaço e uma atenção mundial, rompeu com o caráter emocional introspectivo, quase histérico, de uma pintura expressionista abstrata, propondo um olhar sobre a realidade próxima cotidiana do homem urbano, numa tentativa de aproximação do grande público, do seu real, quase banal.

O neo- expressionismo dos anos oitenta rompeu com a racionalidade e o experimentalismo de um minimalismo ou de uma arte conceitual. Interiorizou-se, surrealizou-se e se emocionou, voltando a pintar, como se fosse a última primeira marca do primeiro homem que ousou pintar. Mal sabíamos que a super-máquina global da nossa grande aldeia se encarregaria de multiplicar ao infinito, por todas as esquinas, por todas as cidades de todos os continentes do mundo, como se tratasse da ambição de um novo Andy Warhol que quisesse atingir o esvaziamento da imagem banalizando-a até a náusea.

É-nos impossível hoje olhar uma obra neo-conceitual ou neo-minimalista sem que nos Pareça velha, sem que consigamos conter o riso, como se fora alguma anedota de algum caricaturista desinformado.

Por que não pintar? Dar continuidade e romper, utilizar a razão e a emoção, ser único e ser banal, pessoal e impessoal, pintar como John Nicholson.

Fazemos e desfazemos imagens e imagens de imagens. A antropofagia cultural de Mário de Andrade não é nem o privilégio nem a estratégia de sobrevivência de um povo colonizado. Ela é a própria dinâmica de movimentação das coisas. Aprendemos com os primeiros artistas pop que é possível ter um lugar na aldeia global e ao mesmo tempo entender o espaço específico que ocupamos nela. Aprendendo a respirar.

John percebeu a importância deste movimento e a importância da respiração. Sua pintura passa de uma superfície reticulada ou tramada de cores primárias que remetem ao pop, da imagem impressa dos mass-media para uma pincelada tortuosa e sombria de um neo-expressionismo. Local e global. Aprendendo a Respirar.